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23 DE OUTUBRO: DIA DO AVIADOR

A data celebra os profissionais que pilotam aviões, sejam eles comerciais, de transporte ou privados. As pessoas que, assim como Santos Dumont, o "pai da aviação", se arriscam nos céus e levam os passageiros aos seus destinos em uma das invenções mais maravilhosas do século XX.


No dia 23 de Outubro de 1906, o brasileiro Alberto Santos Dumont, torna-se o primeiro ser humano a voar! A bordo do 14-Bis, sua criação, Dumont faz um voo no Campo Bagatelle, na França, que ficaria registrado como o início de uma grande revolução nos meios de transporte na Terra: o avião.


A Lei nº 218, de 4 de Julho de 1936, decreta o dia 23 de Outubro como Dia do Aviador no Brasil, em homenagem ao primeiro voo feito na história e graças a um brasileiro. Neste dia também comemoramos o Dia da Força Aérea Brasileira.


Para homenagear esses profissionais, o Jornal do Sudeste entrevistou duas Pilotos de Avião naturais de Encruzilhada do Sul, que amam suas profissões e levam com muita responsabilidade os passageiros aos mais diversos destinos.


LUMA LANGASSNER ROSA

LUMA LANGASSNER ROSA

Natural de Encruzilhada do Sul, Luma Langassner Rosa é filha de Maria Luiza Bukoski Langassner, a professora Coquinha, e Natalino de Freitas Rosa, irmã do advogado Nestor Langassner Rosa (Kokão), tem 31 anos é Piloto de Avião e pilota desde os seus 17 anos.


1 – Fale um pouco como foi se tornar aviador (a), estudos, formação:

Comecei meus estudos para me tornar piloto no ano de 2008, ainda com 17 anos, iniciei o Piloto Privado Teórico (PP) pelo aeroclube do Rio Grande do Sul, onde comecei a voar planador. No início de 2009, após receber o resultado do Enem, inscrevi-me para o curso de Ciências Aeronáuticas pelo Prouni, logo obtendo a feliz notícia da bolsa integral. Em seguida comecei a voar o avião Aero Boero 115 entre outros até a finalização do Piloto Comercial - PC e da Faculdade no ano de 2013.


2 - A quanto tempo já atua como Piloto de Avião?

Atuei com instrução teórica durante 1 ano na escola de Aviação da Aerosul, localizada em Porto Alegre. Após o ano de 2014, fiquei 4 anos afastada da aviação, vindo a entrar para o mercado de pilotos em 2018 para a empresa de Táxi Aéreo TWO FLEX. Em janeiro de 2020 a Azul Linhas Aéreas anunciou a compra da TWO FLEX, vindo a se tornar Azul Conecta, onde, juntamente, eu e meus colegas viemos fazer parte do time da Conecta, como próximo passo me tornei Comandante da Aeronave Turboprop Cessna Grand Caravan no ano de 2021.

Com a pandemia em queda o setor aeronáutico voltou a crescer e com a possibilidade de participar de uma seleção interna para a Azul, realizei neste ano de 2022 mais um sonho, me tornando Piloto do A320, aeronave a jato da Airbus com capacidade de 174 passageiros.


3 – Quando surgiu o interesse de ser aviador (a)?

Eu tenho um tio que também é piloto o Mário Izael Bukoski Langassner (Naná), ele sempre plantou a ideia nas nossas cabeças, eu digo em todos os sobrinhos, mas a vontade veio mesmo quando ainda estava no Ensino Médio, após ter ido em uma excursão da escola para UFRGS portas abertas, apesar de não terem o curso, eles levaram pilotos de aeroclubes para realizarem palestras sobre o assunto.


4 - Quando foi seu primeiro voo solo e qual foi a sua sensação?

Foi no dia que completei 18 anos em 2008, foi um presente inesperado, mas totalmente bem-vindo e simplesmente inexplicável, confesso que comecei a tremer, pois foi surpresa mesmo, só depois que decolou que eu me dei conta que realmente eu estava sozinha e que daquele momento em diante só tinha eu por mim, foi quando eu vi que nada ia me parar, eu era capaz.


5 - Quais aeronaves você está habilitada a comandar?

Quando você se forma como Piloto, você fica habilitado a voar qualquer avião, basta você fazer o curso teórico do avião e simulador, no meu caso foi no Grand Caravan e hoje no A320.


6 - Na sua carreira teve algum momento tenso em algum voo, onde foi preciso manter a calma e seguir todos os protocolos de segurança, qual foi o fato e como foi solucionado? Tive alguns momentos, principalmente por causa de mau tempo, mas todos solucionados sem perder a segurança, normalmente optando por alternar para algum Aeródromo diferente do Aeródromo de destino onde o tempo estava ruim, mas para mim a situação mais desagradável foi quando uma passageira, após perceber que era eu e outra piloto que estávamos na operação, nos pediu para desembarcar, infelizmente preconceito ainda existe, ela desembarcou e foi de ônibus.


7 - Para os jovens que estão entrando ou tem aquele sonho de se tornar piloto, qual incentivo você compartilha?

É uma profissão incrível, mas como todas as profissões existem prós e contras, agora se você realmente tem este sonho, não se deixe por vencer nunca, a sensação de liberdade, de quando você está lá em cima olhando para baixo e você percebe o quão grande é esse mundão e que você vai ter oportunidades de conhecer lugares incríveis e não só no Brasil, eu falo isso porque quando você está empregado em uma linha aérea você tem oportunidade de voar gratuitamente pelas congêneres (GOL, Latam…) e ainda também por preços bem reduzidos, por empresas do mundo todo, então realmente é algo que me fascina muito.


8 - Com um mundo cada vez mais tecnológico, como você enxerga o trabalho do aviador no futuro?

Sinceramente o setor aéreo, após a pandemia, veio conseguindo se reerguer de forma inacreditável, levando em conta que na Pandemia as operações pararam praticamente quase 100%, a perspectiva é muito positiva, existe já a falta real de pilotos nos Estados Unidos, nos Emirados Árabes a contratação de novos pilotos já está em vigor desde o início do ano, para o Brasil não é diferente, principalmente porque aqueles pilotos já com experiência optam em ir para o exterior, fazendo assim, que novas vagas surjam, fora os investimentos em carros voadores que já saíram do papel, semana passada realizaram já o primeiro voo experimental em Dubai. Então no meu ponto de vista, eu enxergo um crescimento cada vez maior se Deus quiser.


CAROLINE DAMÉ DA SILVA VLASAK


CAROLINE DAMÉ DA SILVA VLASAK

Natural de Encruzilhada do Sul, Caroline Damé da Silva Vlasak tem 40 anos, filha Maiga Carvalho Damé e Leomar Jose da Silva, é formada em Ciências Aeronáuticas desde os 23 anos. é Aeronauta, uma profissão que inclui pilotos e comissário de voo e está na aviação comercial há 16 anos.


1 – Fale um pouco como foi se tornar aviador (a), estudos, formação:

Iniciei os meus cursos teóricos em 2000 no Aeroclube de Santa Cruz do Sul. Em 2002 entrei na Faculdade de Ciências Aeronáuticas -PUCRS (durante a faculdade fiz todas as horas de voos necessárias para a formação de Piloto Comercial no Aeroclube de Eldorado e no Aeroclube de acabei). Me formei em janeiro de 2005. Alguns meses depois de me formar, fui convidada para trabalhar no Aeroclube de Canela, onde dava aulas teóricas, enquanto aguardava a minha vez de virar instrutora de voo. Por ser um Aeroclube pequeno, decidi procurar emprego nos aeroclubes e Escolas de Voo em São Paulo. Por indicação de uns dos diretores do Aeroclube de Canela fui contratada na maior escola de aviação do Brasil- EJ Escola de Aeronáutica- onde trabalhei dando instrução de voo e simulador por 1 ano e onde adquiri as tão sonhadas 1500 horas de voo para ingressar na aviação comercial. Em setembro de 2006, depois de um processo seletivo, entrei na GOL Linhas Aéreas no cargo de Copiloto - na Gol, voei até janeiro de 2010. Em agosto de 2009 fui convidada para fazer seleção numa empresa que havia iniciado as operações 6 meses antes tinha 5 aviões.

Apostei a minha vida profissional na AZUL LINHAS AÉREAS e deu certo! Em janeiro de 2010 assinei o meu contrato de copiloto na empresa e 1 ano depois iniciei as avaliações e treinamento para Comandante. Em julho de 2011 recebi das mãos de dois grandes profissionais Comandante Álvaro Neto e Comandante Assumpção as tão desejadas “4 faixas”.


2 - A quanto tempo já atua como Piloto de Avião?

Sou Aeronauta, uma profissão que inclui pilotos e comissário de voo, e estou na aviação comercial há 16 anos.


3 – Quando surgiu o interesse de ser aviador (a)?

Quando estava terminando o segundo grau conheci alguns pilotos, dentre eles o Comandante Ruben Azambuja (hoje aposentado) e fiquei encantada pela carreira. Ao contrário da maioria dos pilotos, não foi um sonho de criança.


4 - Quando foi seu primeiro voo solo e qual foi a sua sensação?

Com 18hs de voo numa aeronave chamada P56 - Paulistinha sai para o meu primeiro voo solo. Tenho até hoje a sensação de frio na barriga misturada com medo e alegria. Foi um fim de tarde lindo - num céu de brigadeiro decolei confiante foram mais ou menos 30 min ouvindo o som do meu coração e do vento. Calculando e executando tudo exatamente tudo que o meu querido instrutor Rodrigo havia me ensinado.


5 - Quais aeronaves você está habilitada a comandar?

Na aviação comercial um piloto é habilitado a pilotar uma aeronave por vez. Por questão de segurança, os pilotos passam por treinamentos de simulador a cada 6 meses para testar a habilidade técnica e teórica. A aeronave que voei por 12 anos na Azul foi o EMBRAER E190. Por questão de comodidade, após o nascimento das minhas duas filhas, decidi não trocar de equipamento (outra aeronave) para não sair da base Porto Alegre.


6 - Na sua carreira teve algum momento tenso em algum voo, onde foi preciso manter a calma e seguir todos os protocolos de segurança, qual foi o fato e como foi solucionado?

Tive alguns problemas técnicos em comandos de voo, trem de pouso, colisão com pássaro, passageiro com problema de saúde, passageiro indisciplinado, mas o que pra mim mais marcou foi uma despressurização num voo em que decolei do aeroporto de Congonhas (SP) com destino à Porto Alegre. Estávamos num nível de voo onde tivemos que colocar as máscaras de oxigênio, fazer uma descida de emergência seguindo todo o “check list de emergência”. Pousamos em Curitiba em total segurança, trocamos de aeronave e continuamos o voo que foi finalizado em Porto Alegre.


7 - Para os jovens que estão entrando ou tem aquele sonho de se tornar piloto, qual incentivo você compartilha?

Não basta querer ser piloto, tem que ter vocação para ser um.

Para os jovens que querem seguir essa carreira eu só tenho a dizer que vale muito a pena! Mas cuidado, num jargão bem popular falado entre os aviadores, “A aviação é uma cachaça”. Uma vez aviador, sempre aviador! Ter a possibilidade de conhecer pessoas diferentes, lugares maravilhosos, enriquecer culturalmente... tudo isso trabalhando! Por isso sempre disse que eu gosto tanto do que faço, que não parece trabalho!

Com o coração muito apertado, depois de quase 13 anos trabalhando na Azul Linhas Aéreas, há alguns meses de ser transferida para o Airbus 330 A330, pedi demissão em setembro.

Casada com um aviador, hoje voando numa Empresa dos Emirados Árabes, no Marrocos. Mãe de duas princesas de 6 e 3 anos, senti que era hora de dar uma pequena pausa na vida profissional no Brasil.

Ano que vem recomeço a minha linda história na aviação, que eu tenho muito orgulho de lembrar e contar!


8 - Com um mundo cada vez mais tecnológico, como você enxerga o trabalho do aviador no futuro?

Nenhuma tecnologia substitui o piloto. A aviação está crescendo muito e a falta de pilotos no mundo é eminente. Aos jovens interessados em seguir carreira, preparem-se e estejam com as carteiras de piloto em dia, tenham boa proficiência em inglês, façam cursos que enriqueçam o currículo, procurem ganhar experiência em aeroclubes, escolas de aviação, aviões particulares, que mais cedo ou mais tarde vocês encontrarão realização profissional!



 

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