2 DE ABRIL: DIA MUNDIAL DE CONSCIENTIZAÇÃO DO AUTISMO

Por Elisabeth Silveira


O transtorno do Espectro Autista- TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento, uma condição humana que afeta duas importantes áreas do desenvolvimento humano, o comportamento e a comunicação social. Não há só um tipo de autismo, mas muitos subtipos que se manifestam de uma maneira única em cada pessoa e. por ser tão abrangente é utilizado o termo "espectro".


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 01 em cada 54 crianças no mundo pode ser diagnosticada com algum grau do espectro que afeta mais os meninos do que as meninas, num proporção de 1:4


O Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 02 de abril foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), com o intuito de conscientizar a sociedade acerca da luta pelos direitos daqueles que possuem o diagnóstico e promover a inclusão escolar.


No Brasil, a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com o Transtono do Espectro Autista foi instituída em 2012, através da Lei n" 12,764, conhecida como Lei Berenice Piana e de forma mais ampla pela Lei Brasileira de Inclusão, a LBI, n° 13.146/15.


Muitos estudos investigam as causas do autismo e apontam fatores genéticos, biológicos e ambientais como possibilidades. O diagnóstico é essencialmente clinico, baseado na observação dos sinais e sintomas, seguindo critérios estabelecidos por DSM-V (Manual de Diagnóstico e Estatística da Sociedade Norte Americana de Psiquiatria), pelo CID-10 (Classificação Interacional de Doenças da OMS), o grau de comprometimento e o histórico de cada indivíduo.



De modo geral, o transtorno se instala nos três primeiros anos de vida, quando os neurônios que coordenam a comunicação e os relacionamentos sociais deixam de formar as conexões necessárias, há também estudos recentes que afirmam que o autismo pode ser detectado a partir dos 6 meses de idade Na adolescência e na vida adulta as manifestações do TEA estão correlacionadas ao grau de comprometimento de cada indivíduo. Terapias realizadas desde cedo, de forma perene e adequadas são capazes de reduzir os sintomas e melhorar a qualidade de vida da pessoa com TEA


São sintomas comuns, mas não determinantes de TEA o não responder ao ser chamado pelo nome diálogos ou monólogos incompreensíveis, utilizar as mãos de terceiros como instrumento para pegar um objeto ou apontar algo que queira, não olhar nos olhos, isolamento social riso em situações inadequadas, chamar a si próprio pelo nome; estereotipias, ecolalia e flappings (agitar as mãos), andar na ponta dos pés enfileirar objetos: ligar e desligar luzes e aparelhos eletro eletrônicos forte apego a rotinas, interesses restritos irritação a sons altos, corte de unhas e cabelo dentre outros.


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Quanto mais cedo for realizada a estimulação precoce com intervenções articuladas e envolvendo profissionais de diferentes especialidades, melhores e mais consistentes serão as mudanças e o desenvolvimento das áreas potenciais da criança. Essas intervenções envolvem não apenas a criança, mas a família e os espaços onde ela circula A Intervenção Precoce (IP) é uma prestação de apoio centrada na capacitação das famílias e da comunidade, baseada em conhecimentos científicos e promoção social, para que sejam partes proativas na promoção do desenvolvimento de suas crianças No Brasil ainda não existe um ordenamento legal institucionalizado e governamental de implantação e implementação deste tipo de atendimento.


O diagnóstico de autismo traz sofrimento para a família inteira e todos os envolvidos - pais, irmãos, parentes precisam conhecer as características do espectro, aprender técnicas que facilitam a convivência com o transtorno, que estimulem a comunicação da criança e o relacionamento entre todos que com ela convivem. Segundo o Dr Drauzio Varella, crianças com autismo precisam de tratamento e suas famílias de apoio informação e treinamento


É essencial a família não limitar esforços para a realização das terapias e acompanhamentos, compreender que as conquistas são lentas e resultam da ação diária e incessante das estratégias e orientações dos especialistas. Que reconheça as limitações da criança e a fortaleça para que ela possa superar-se, festeje e compartilhe toda pequena conquista utilize reforços positivos para modelar comportamentos, oferecer todas as possibilidades de interações sociais que ampliem capacidade de representação simbólica, a socialização, o contato com regras sociais possibilidades de escolhas autorregulação, construção de memória afetivas e a inclusão.


Fonte: Autismo& Vida

Instituto do Autismo

Dr. Drauzio Varela