DIA NACIONAL DO BRAILLE - NOTA DA ONCB

Por Elisabeth Silveira

Pedagoga Especial/Psicopedagoga

Pós graduanda em AEE e capacitada em AEE/DV/TEA – UfPel/FADERS


Há cerca de cinco mil anos, a humanidade obtinha uma de suas maiores conquistas: a invenção da escrita. Por meio de caracteres gráficos adaptados pelas diferentes civilizações, os seres humanos passaram a receber e a transmitir conhecimentos, o que foi fundamental para que atingissem o seu atual estágio de desenvolvimento.


Para as pessoas cegas, porém, essa conquista só começou a se tornar real a partir do final de 1824, com a apresentação da primeira versão de um código de escrita e leitura em relevo desenvolvido pelo jovem francês Louis Braille.


No Brasil o Sistema Braille chegou em 1850, pelas mãos do jovem cego José Álvares de Azevedo e, em sua homenagem escolheu-se, em 2009, o dia 08 de abril, data de seu aniversário natalício, para a celebração do Dia Nacional do Braille, oficializado pela Lei nº 12.266, de 21 de junho de 2010. José Álvares de Azevedo foi o primeiro cego brasileiro e é considerado o Patrono da Educação de Cegos.


A ONCB lembra que, durante estes quase dois séculos, o Braille vem sendo utilizado como o meio natural de escrita e leitura das pessoas cegas, reconhecido universalmente como o único instrumento capaz de permitir que as crianças que nascem cegas ou perdem a visão nos primeiros anos de vida sejam alfabetizadas e formem conceitos sobre seres, objetos, formas e realidades que a falta da visão lhes torna inacessíveis.



E cabe lembrar também que, quando dizemos que o Braille é um sistema natural de leitura, significa que é o único sistema que permite o contato direto da pessoa cega com os textos escritos, acionando a mesma área do córtex cerebral que é ativada com a leitura visual.


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Alertamos que cabe aos pais ou responsáveis e aos professores estimular as crianças cegas a utilizar o Sistema Braille de maneira adequada. Aos governantes, cabe oferecer os recursos indispensáveis para que isto se concretize. Caso contrário, estaremos transformando estas crianças em analfabetos funcionais!


Já para os adultos e idosos cegos, deve ser dado o direito de escolher o formato acessível que mais lhes convém ou agrada utilizar.



Entretanto, o alto custo destes equipamentos ainda os torna inacessíveis para a maioria das pessoas cegas em nosso país. E é por todas essas razões que a ONCB conclama a todos para fazer de cada dia um Dia Nacional do Braille, buscando desenvolver estratégias que permitam que esse sistema possa ser utilizado em toda a sua genialidade, proporcionando mais independência, autonomia e inclusão a milhares de pessoas cegas em todo o Brasil!

A Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB) é uma instituição não governamental e sem fins lucrativos. É a única entidade da sociedade civil em âmbito nacional que representa, de forma direta, 90 organizações das cinco regiões do país e aproximadamente 7 milhões de pessoas cegas e com baixa visão.


A ONCB, presidida por Alberto Pereira, tem por missão a defesa e efetivação dos direitos das pessoas com deficiência visual. Oferece assessoramento e apoio institucional às entidades afiliadas, na perspectiva dos direitos humanos, da inclusão, da acessibilidade e da atuação em rede. Para tanto, possui assento no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS); Conselho Nacional de Direitos da Pessoa com Deficiência (CONADE); Conselho Nacional de Saúde (CNS); Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM); Comissão Brasileira do Braille (CBB); e Comitê Representativo das Entidades de Pessoas com Deficiência (CRPD). No âmbito internacional, compõe a União Latino-americana de Cegos (ULAC); União de Cegos de Países de Língua Portuguesa (UCLP) e União Mundial de Cegos (UMC).


No município a menina Andrielly, de 13 anos, diagnosticada retinopatia de prematuridade de grau 5 e bilateral, aluna da EMEB Adão Fonseca, é assistida por uma monitora e tem atendimento educacional especializado pela Sala de Recursos, onde as aulas são adaptadas e enviadas pelo whatsapp, através de vídeo e áudios, materiais com Audiodescrição ou descrição de imagens. O uso do braille ainda se restringe aos atendimentos semanais nas Salas de Recursos de Encruzilhada e Santa Cruz do Sul. Devido a pandemia as aprendizagens do braille e do aplicativo Dosvox, que a aluna já usa de forma limitada, estão sendo redimensionadas. Durante a bandeira preta, a mãe é orientada através de vídeos e áudios a acompanhar a filha e a confeccionar alguns materiais específicos, que em tempo normal são produzidos na Sala de Recursos.



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