O ENVELHECIMENTO, O STRESS E O CORAÇÃO

Em nossas andanças por muitos núcleos de atendimento cardiológico em nosso meio, desde 1997 temos nos deparado com uma situação que tem se repetido a ponto de criar uma característica exemplar: a solidariedade dos cardiopatas e também em outros pacientes com diabetes melitus, geriátricos e doenças broncopulmonares.


Presente em todos os ambientes que congregam um numero maior de pacientes, se tornam exuberantes nos centros de reabilitação cardiológica e geriátrica, onde predominam os infartados, bronquiticos, enfisematosos e vítimas de carcinomas.


Com idades que oscilam geralmente dos 45 aos 65 anos, esses grupos de enfermos desenvolvem uma aparente confraria, onde cada um se preocupa com os problemas do outro, criando uma corrente positiva de apoio recíproco.


Conversando e detalhando determinados aspectos com alguns deles, observamos que talvez a dificuldade principal que eles apresentam é a adaptação ao fato de que sua perspectiva de vida futura foi duramente traumatizada pelo evento cardiopulmonar e circulatório que sofreram. Eles demonstram tanto em termos de longevidade como de qualidade, nas entre linhas dos diálogos, que suas vidas perderam em dimensão sob todos os aspectos.


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Muitos conseguem, evidentemente, se equilibrar e são capazes de manter um ritmo de trabalho dinâmico e altamente produtivo, praticando atividades físicas, fisioterapia e passa tempos lúdicos.


Aliás, é igualmente marcante notar que a maioria desses pacientes exercia atividades de grande responsabilidade quando foram acometidos por estas enfermidades e, tão logo tiveram condições mínimas, voltaram ao exercício, ainda que as vezes parcial, de suas forças anteriores a estas enfermidades.


A médio prazo, porém, a nossa experiência pessoal mostra que basicamente todos eles passam a conviver com a ameaça de uma complicação fatal próxima, necessitando do psicólogo e as vezes psiquiatra. Desse modo, as várias etapas seguintes de seu envelhecimento se desenvolvem em um clima de ansiedade que, acima de tudo, altera a qualidade e impõe horizontes e perfectivas acanhadas e opacas para suas vidas.


O que fazer para minimizar tais repercussões e estimular os ânimos desses nossos pacientes? A resposta é complexa, pois inclui muitas medidas, que fazem jus ao alento de uma simples prescrição de medicamentos.

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